Introdução
O modo de produção enxuta apresenta as seguintes características gerais: manufatura flexível com menor número de máquinas especializadas, redução de estoques, formação de empregados qualificados e multi-tarefas preparados para trabalhar em equipes, linha de montagem procurando prevenir falhas e evitar reparos finais, relacionamento de cooperação e de longo prazo com fornecedores. Um desempenho superior no desenvolvimento de produtos resultante do modo enxuto, somente será transformado em vantagem competitiva para a empresa se ela tiver toda uma administração voltada para esse modo, o que significa ter a linha de montagem e produção, relacionamento com fornecedores e tratamento com o consumidor final operando em sintonia e de acordo com as regras do modo enxuto de produção.
No desenvolvimento de produtos das organizações enxutas, há uma ênfase em equipes multifuncionais com liderança forte, e com participação ativa de especialistas das diversas áreas funcionais sendo valorizados pela atuação dentro da equipe. A conseqüência deste enfoque enxuto no desenvolvimento do produto é a capacidade de projetar e produzir uma maior variedade de produtos atendendo à fragmentação do mercado, conseguindo a fidelidade dos clientes pela qualidade e confiabilidade dos produtos produzidos, representando para as organizações que o empregam um grande salto na produtividade, qualidade dos produtos e resposta rápida às cíclicas exigências do mercado.
As companhias que dominam o projeto enxuto apresentam vantagens competitivas pois podem ampliar sua variedade de produtos, atingindo melhor os diferentes segmentos do mercado. Outra possibilidade é uma maior taxa de renovação de produtos, mantendo-os mais atualizados do que a concorrência. Essas duas tendências, que vêm sendo utilizadas pelos produtores enxutos mundiais, afetam significativamente os volumes de produção, conciliando até certo ponto a grande variedade de produtos à venda no sistema de produção artesanal, com um volume elevado de produção, e consequentemente baixos preços e acesso ao mercado de massas, do sistema de produção em massa clássico.
Além de maior variedade de produtos ou menores ciclos de renovação, pode-se utilizar este conjunto de vantagens na implementação de um eficiente processo de desenvolvimento de inovações tecnológicas no produto. O projeto enxuto, permite uma aproximação maior entre o setor de pesquisa e desenvolvimento e a engenharia do produto significando em rápida introdução de inovações tecnológicas nos novos modelos, com menor comprometimento da confiabilidade do produto final e de sua manufaturabilidade.
Guia de leitura das informações adicionais
Não há como tratar do assunto Lean Production sem mencionar o principal esforço de pesquisa mundial que tratou deste tema, realizado em meados dos anos 80 pelo IMVP - International Motor Vehicle Program do MIT.
Do trabalho deste grupo resultaram as principais referências colocadas nas Informações Adicionais desta página sobre Lean Production. Sem dúvida o livro "A Máquina que mudou o Mundo" (1992) é a obra mais conhecida e fundamental para se compreender a superioridade do sistema de produção enxuta em relação ao sistema de produção em massa tradicional.
Esta obra mostra isso contrastando a forma como as montadoras japonesas e particularmente a Toyota, criadora da Lean Production, tratavam dos aspectos fabricação, projeto, gestão de fornecedores e consumidores, com resultados bem superiores aos obtidos pelas montadoras norte-americanas e européias, fiéis seguidoras aquela época do sistema de produção em massa.
O artigo de Krafcik (1998), que foi o principal especialista em fábricas da equipe do IMVP - MIT, apresenta basicamente as mesmas linhas de discussão, podendo ser uma opção para uma leitura rápida, mas sem o mesmo detalhamento que o livro trás.
Após esta primeira fase do IMVP, e com a enorme repercussão desta pesquisa e do livro, muitas montadoras e empresas de outros setores industriais começaram a reagir buscando implementar os princípios preconizados pela Lean Production. Neste sentido os dois artigos citados da Harvard Business Review (1994) enfatizam a necessidade de se considerar a Lean Production em todas as atividades da empresa e em sua própria estratégia competitiva (e não somente na produção e na fabricação em si). Por fim, o segundo livro do IMVP "A Mentalidade Enxuta" segue esta mesma linha e mostra as experiências e os resultados obtidos por empresas, em diferentes tipos de indústrias, que buscaram implantar a Lean Production.
Os sites relacionados permitem que se tenha mais detalhes do trabalho do IMVP e duas de suas derivações mais importantes, o laboratório de Projeto de Sistemas de Manufatura (PSD) e o Lean Enterprise Institute.
Artigos
HAYES, R. H.; PISANO, G. P.; (1994). Beyond world-class: the new manufacturing strategy. Harvard Business Review, p.77-86, Janeiro-Fevereiro. (t:802)
KRAFCIK, J. F.; (1988). Triumph of the lean production system. Sloan Management Review, Autumn p. 41-52.
WOMACK, J. P.; JONES, D. T.; ROOS, D.; (1992). A Máquina que mudou o mundo. Rio de Janeiro: Campus. ( Disponível na EESC - USP )
WOMACK, J. P.; JONES, D. T.; (1994). From lean production to the lean enterprise. Harvard Business Review, p.93-103. Março-Abril. (t:809).
WOMACK, J. P.; JONES, D. T.; (1997). A Mentalidade Enxuta. Rio de Janeiro: Campus(Disponível na biblioteca da UFSCar)
Sites Relacionados
PSD-Production System Design Laboratory(1998)http://lean2.mit.edu/
LEI-Lean Enterprise Institute(1998)http://www.lean.org
IMVP - International Motor Vehicle Program (1999)http://web.mit.edu/afs/athena.mit.edu/org/c/ctpid/www/imvp/
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