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Definições
Segundo ROZENFELD, et al. (2006), a abordagem da Engenharia Simultânea é tratada no processo de desenvolvimento convencional como uma forma de eliminar a prática de “atirar por sobre o muro” (uma atividade após a outra) ou a engenharia ponto-a-ponto, e evoluir em direção ao processamento paralelo de atividades. Entretanto, as empresas ocidentais que adotaram o desenvolvimento paralelo não quebraram o paradigma da engenharia ponto-a-ponto, pois a prática básica permanece a mesma – o time continua interagindo com uma única solução (gerada na fase conceitual).
No processo de desenvolvimento convencional, o plano é seguido até que ocorra uma falha ou problema, qualquer que seja a razão, então se segue uma série de loop-backs iterativos, ou modificação de planos e recursos. Com isso, durante a execução, os resultados do trabalho executado são empurrados através das atividades (KENNEDY, 2003). A visão sistêmica da solução (e muitas vezes só de parte dela) só é conseguida nos phase gates. Esses gates, além de representarem represas de informação, muitas vezes levam a esperas e estoques desnecessários (SOBEK, et al. 1999).
A abordagem SBCE difere significativamente desse processo a equipe conduz o processo sem definir um conceito inicial, mas sim vários. Os participantes do desenvolvimento pensam, desenvolvem e comunicam conjuntos de soluções em paralelo e relativamente independentes. Conforme o projeto progride, o time de desenvolvimento vai gradualmente restringindo essas soluções, baseando-se no conhecimento que é agregado ao projeto durante o seu desenvolvimento. Focar na convergência a partir de várias possibilidades, em vez de refinar uma única boa idéia para otimizá-la, permite que os atores trabalhem em conjunto, diminuindo significativamente a quantidade de correções e retrabalhos no processo.
Segundo SOBEK, et al. (1999), O objetivo da SBCE é: (1) evitar o abandono prematuro de boas idéias para garantir uma eficiência do planejamento; (2) reduzir os riscos e o retrabalho e a sensação de “correr atrás do planejamento”. Assim, comparado com o desenvolvimento de uma alternativa única, o SBCE reduz, na prática, o tempo de desenvolvimento.
A SBCE estende o conceito da engenharia simultânea para permitir o atraso de decisões de modo a manter opções de projeto em aberto até que seja estritamente necessário defini-las (WALTON, 1999). O projeto baseado em conjuntos é: um ciclo de desenvolvimento simples e repetitivo que consegue alta inovação em produtos e sistemas de manufatura, evitando o risco através de redundância, robustez e captura de conhecimento (KENNEDY, 2003).
A equipe de desenvolvimento, portanto, não define especificações rígidas no início do projeto, ao invés disso, estabelecem um conjunto de possibilidades para cada subsistema do produto (sistema), muitas das quais são carregadas até estágios avançados do projeto (WARD et al, 1995). Esses conjuntos consideram todas as perspectivas funcionais e de manufatura, criando uma redundância ao risco, ao mesmo tempo em que mantém flexibilidade. O projeto final do sistema é desenvolvido através da combinação sistemática e estreitamento desses conjuntos, onde as alternativas são descartadas de acordo com o aumento do conhecimento e da confiança (KENNEDY, 2003).
A Figura 1 ilustra de maneira esquemática o projeto “ponto-a-ponto” e o projeto baseado em conjuntos.
Figura 1 – Projeto “ponto-a-ponto” e projeto baseado em conjuntos
De acordo com SOBEK, et al. (1999) a essência da SBCE está fundamentada em três princípios, apresentados a seguir:
- Mapear o espaço de projeto
- Integrar pela intersecção
- Estabelecer a exeqüibilidade antes do comprometimento
O mapeamento do espaço de projeto corresponde a identificação do conjunto de alternativas ou faixa de valores que serão levados adiante. Todos os envolvidos no projeto são liberados para desenvolver o seu trabalho, conquanto que fiquem dentro de determinados limites, isto é, o seu espaço de projeto. A integração pela intersecção significa procurar por soluções dentro das intersecções dos conjuntos ou intervalos dos valores. Estabelecer a exeqüibilidade antes do comprometimento refere-se a obrigação de todos os envolvidos manterem a consistência com o projeto pré-existente.
A abordagem SBCE depende da implementação integrada e conjunta das ações relacionadas aos princípios. Entretanto, esforços para implementar apenas alguns princípios falharão, pois o sistema deve ser altamente integrado. A mudança para um ambiente distribuído e simultâneo deveria envolver uma mudança correspondente no método de projeto para um processo baseado em conjuntos.
Apesar de parecer que o Toyota Product Development System é “aberto”, ele é bastante padronizado. A padronização passa pelos aspectos relacionados aos padrões de competências para o desenvolvimento de um projeto, pelos processos de trabalho e pelos padrões de projeto. A prática de padronização e a atenção gerencial aos processos sociais que estão envolvidos no processo de desenvolvimento permitem que a Toyota alcance um impressionante nível de integração (ROZENFELD, et al. 2006).
Fontes
ROZENFELD, H.; FORCELLINI, F. A.; AMARAL, D.C.; TOLEDO, J.C.; SILVA, S.L.; ALLIPRANDINI, D.H.; SCALICE, R.K.. Gestão de Desenvolvimento de Produtos: uma referência para melhoria do processo. São Paulo: 542p, Editora Saraiva, 2006.
SOBEK, D. K.; WARD, A. C.; LIKER, J. K. Toyota’s principles of set-based engineering. Boston: Sloan Management Review, winter 1999.
KENNEDY, M. N.. Product development for the lean enterprise. Richmond: Oaklea Press, 2003.
WALTON, M. Strategies for Lean Product Development: A Compilation of Lean Aerospace Initiative Research. Cambridge: Massachusetts Institute of Technology, 1999. (Research Paper 99-02).
WARD, A. C.; LIKER, J.K.; CRISTIANO, J.J.; SOBEK II, D.K.. The second Toyota paradox: how delaying decisions can make better cars faster. Boston: Sloan Management Review, spring 1995.
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