Objetivos dessa página
- fornecer uma visão ampla e superficial do QFD, indicando ao visitante onde ele pode buscar informações adicionais;
- mostrar com um pouco mais de detalhes onde este método pode ser aplicado no processo de desenvolvimento de produtos;
- colocar à disposição do visitante ferramentas para download de formulários, roteiros e planilhas que o auxiliarão a aplicar um tipo de QFD (por enquanto, aguardamos contribuições para aumentar o conteúdo de material gratuito).
Se você já conhece o QFD vá direto para a seção que traz o material gratuito para download visando sua aplicação
Fontes
Grande parte do material inicial dessa página foi elaborada a partir da página existente do NUMA e confeccionada por Manuel Otelino. Na ocasião, diversas partes de sua dissertação de mestrado foram utilizadas. Utilizamos também novos conhecimentos documentados no livro QFD do Prof. Cheng. Agora que este conteúdo está aberto à comunidade em geral, convidamos a todos para adicionar as suas contribuições.
Definições e histórico
A definição mais genérica e tradicional do QFD é um método de sistemático de projetar a qualidade de um produto ou serviço. Ele traduz as necessidades do cliente em caracterí­sticas do produto ou serviço. Porém sua aplicação pode ser muito mais ampla do que essa definição tradicional indica. Seus princí­pios são tão gerais, que ele pode ter vários tipos de aplicações.
Sua origem remonta no movimento da gestão da qualidade total (TQM), que evolui da garantia da qualidade pela inspeção, para a garantia da qualidade pelo controle do processo e cada vez mais a ênfase atual é na garantia da qualidade no desenvolvimento de produtos. E considera-se essa prática um avanço do desenvolvimento de produtos.
No iní­cio era somente uma técnica para desdobrar por meio de matrizes as necessidades dos clientes em caracterí­sticas técnicas de produto. Hoje o conceito de QFD é bem mais amplo e se divide em dois grupos o QFDr (quality function deployment in a restricted sense) e o QD (quality deployment). O QFDr, também conhecido em português como o processo gerencial de desenvolvimento do produto orientado para cliente, é um modelo de referência para gestão do desenvolvimento de produtos. Ou seja, o QFDr define as atividades e padrões para se realizar o processo de desenvolvimento de produtos (PDP). O QD, desdobramento da qualidade, corresponde à técnica original.
Confira no site do QFD institute a história do QFD. No do Prof. Cheng existe uma visão histórica muito bem estruturada (capí­tulo 2.2). livro sobre QFD
Assim a definição mais atual e completa do QFD é dual, devido aos dois focos complementares, porém de natureza distinta:
1. QFDr é uma referência para a gestão do desenvolvimento de produtos (GDP) com foco na sistematização do PDP
2. QD é um método para desdobrar a voz do cliente em caracterí­sticas (de qualidade, funcionais, de custo e confiabilidade) do produto ou serviço - foco na sua aplicação operacional durante o PDP
Nessa página estaremos apresentando somente o QD, com ênfase na Gestão do Desenvolvimento de Produtos. O QD pode ser empregado durante todo o processo de desenvolvimento de produto e tem por objetivo auxiliar o time de desenvolvimento a incorporar no produto as reais necessidades dos clientes.
A nova versão do QD introduziu o modelo conceitual no desdobramento da qualidade.
Devido à difusão de métodos mais tradicionais nos USA, principalmente pela American Supplier Institute (ASI) e Europa, o termo QFD ainda é empregado, mas somente como QD. Assim, é comum observar publicações que utilizam o termo QFD, mas que tratam somente do desdobramento da qualidade do produto.
Algumas vezes associa-se o QD à confecção da casa da qualidade, também conhecida como primeira casa da qualidade. O próprio criador do QFD Akao insiste em dizer que QFD não é a primeira casa da qualidade, pois é bem mais que isso. Além disso, muitas aplicações do QD nem necessitam da primeira casa da qualidade.
Mecanismos e princípios
Os elementos principais do QD são as tabelas, matrizes e modelo conceitual.
A tabela é o elemento que pode representar de forma hierárquica diversas caracterí­sticas envolvidas no QD, que podem ser tanto entradas como saí­das, por exemplo: requisitos dos clientes, do produto, do processo etc.
As matrizes relacionam duas tabelas. Por meio de um conjunto de matrizes parte-se dos requisitos expostos pelos clientes e realiza-se um processo de desdobramento transformando-os em especificações técnicas do produto. As matrizes servem de apoio para o grupo orientando o trabalho, registrando as discussões, permitindo a avaliação e priorização de requisitos e caracterí­sticas e, ao final, será uma importante fonte de informações para a execução de todo o projeto. Neste trabalho com as matrizes realizam-se algumas operações básicas de extração, relação e conversão, em que:
- a extração é o processo de criar uma tabela a partir de outra, ou seja, de utilizar os elementos de uma tabela como referência para se obter os elementos de outra tabela.
- a relação é o processo de identificar a intensidade do relacionamento entre os dados das duas tabelas que compõem a matriz.
- a conversão é o processo de quantificar a importância relativa dos dados de uma tabela em função da intensidade da relação destes com os dados da outra tabela. Nesse processo é também considerada a importância relativa dos dados que compõem a tabela que será convertida.
O modelo conceitual relaciona as tabelas e matrizes. Define a seqí¼ência de desdobramentos. Pode-se realizar desdobramentos relacionados com a qualidade do produto (caracterí­stica de qualidade ou qualidade projetada), com a tecnologia (processo de fabricação), com o custo e com a confiabilidade.
Na definição de uma aplicação especí­fica do QD, o primeiro passo é definir o modelo conceitual, ou seja, quais desdobramentos serão realizados.
A força do QFD está em tornar explí­citas as relações entre necessidades dos clientes, caracterí­sticas do produto e parâmetros do processo produtivo, custos, confiabilidade permitindo a harmonização e priorização das várias decisões tomadas durante o processo de desenvolvimento do produto, bem como em potencializar o trabalho de equipe.
Outro aspecto importante a considerar é que, por ser um método que se baseia no trabalho coletivo, os membros da equipe desenvolvem uma compreensão comum sobre as decisões, suas razões e suas implicações, e se tornam comprometidos com iniciativas de implementar as decisões que são tomadas coletivamente.
Tipos ou versões de QFDQFD das Quatro Fases
Foi a primeira versão existente do QFD. Criado por Macabe e divulgado nos EUA por Don Clausing (CLAUSING, 1993) e pela American Supplier Institute (ASI). Definia uma seqí¼ência rí­gida de desdobramento da qualidade: planejamento do produto (caracterí­sticas de qualidade com qualidade projetada com requisitos do produto); componentes, planejamento do processo e planejamento da produção.
QFD estendido
É uma evolução do anterior. Don Clausing no seu livro clássico Total Quality Development (TQD) propõe uma aplicação integrada do QFD (QD) ao processo de desenvolvimento de produtos (TQD), com ênfase no ensaio de experimentos com base no Robust Design. Suas matrizes representando o desdobramento de caracterí­sticas de qualidade de sistemas, subsistemas, componentes e processos,
QFD das Quatro Ênfases
Criado pelos Professores Akao e Mizuno fomentados pela Union of Japanese Scientists and Engineers (JUSE). Adicionou ao conceito de qualidade total a necessidade de se considerar a qualidade durante o desenvolvimento de produtos. A relação entre as matrizes neste tipo de QFD pode ser vista na figura abaixo. Na primeira casa (A casa da qualidade) faz-se o desdobramento dos requisitos do cliente transformando-os em especificações do produto. Em seguida na casa do Planejamento dos Componentes estes requisitos do produto são desdobrados em requisitos para os componentes do produto. Na casa do Planejamento dos Processos, os requisitos gerados na etapa anterior, requisitos dos componentes, são transformados em requisitos dos parâmetros de processo e estes, por sua vez, são desdobrados nos requisitos dos padrões de operação do processo. Garante-se com esta abordagem que toda a especificação de produto, componentes, processos e padrões de operação estejam orientadas à s necessidades dos clientes.
[inserir figura]
A Matriz das Matrizes
Criado por Bob King e divulgado pela Goal/QPC. É uma extensão da versão das quatro ênfases (KING, 1989).
Todas as versões apresentadas anteriormente não possuí­am o modelo conceitual. Esta ferramentao nao funciona
Desdobramento da qualidade (QD)
É o método mais flexí­vel e pragmático. O modelo conceitual mostra qual a melhor combinação de correlação entre as matrizes, focando no que é essencial. Foi descrito na seção Elementos, mecanismos e princí­pios.
Casa da Qualidade
Também conhecida como a primeira casa da qualidade. Apesar de não ser um método de QFD propriamente dito, pois ele pode acontecer no iní­cio de alguns métodos (como o QFD das quatro fases), ela é algumas vezes a única matriz empregada. A essa matriz foram agregadas várias tabelas que auxiliam a calcular o grau de importância de um requisito do cliente (qualidade exigida) a partir: (a) da análise da natureza do requisito segundo o grau de percepção do cliente (requisito óbvio, excitante etc); (b) de uma avaliação comparativa com os principais concorrentes (benchmarking) e (c) de um fator que mede o impacto deste requisito na venda (argumento de venda).
O caso 2 de aplicação mostra um exemplo acadêmico dessas tabelas, que ficam incorporadas à casa da qualidade.Dentro do material para download, pode-se baixar planilhas, formulários e checklists, para se aplicar este método de QFD.
Aplicações
O QFD pode ser aplicado em planejamento estratégico, no desenvolvimento de produtos, para avaliar custos e muito mais. A sua aplicação mais usual é na gestão do desenvolvimento de produtos, foco desta página.
No livro do Cheng existem relatos de aplicações na indústria de alimentos, automotiva, autopeças, de materiais e software. As aplicações abrangem definição de caracterí­sticas dos produtos, processos de fabricação, melhoria do processo de desenvolvimento de produtos, melhoria do serviço de atendimento a clientes, definição de requisitos de usabilidade, entre outras.
Por enquanto temos somente dois casos de aplicação em ambientes acadêmicos ou voltadas para o ensino de QFD, ou seja, aplicações didáticas.
Caso 1 de aplicação acadêmica: Fábrica Integrada Modelo (FIM)
Essa aplicação foi realizada em 1998 e é uma aplicação acadêmica realizada em um ambiente que procurava representar uma fábrica real, a FIM. Foi realizado o QFD do projeto do redutor de velocidades. Neste exemplo de aplicação do QFD foi empregada somente a casa da qualidade, compreendendo desde a pesquisa de mercado, a manipulação dos dados originais até o preenchimento da casa. Para tando, seguiu-se os passos da metodologia desenvolvida por PEIXOTO (1998) que conjuga os diferentes métodos dos principais autores sobre QFD e inova-os no aspecto do desdobramento das falhas potenciais do produto. Como se limitou apenas à Casa da Qualidade, o QFD na Fábrica Integrada modelo (FIM) é utilizado apenas como uma ferramenta para introduzir a "voz do cliente" no processo de desenvolvimento do produto. Essa é uma aplicação alternativa do QFD, muito encontrada na literatura e em casos reais em empresas.
Caso 2 de aplicação: Exemplo do desdobramento de alguns requisitos de uma impressora
Este é um exemplo didático em uma apresentação power point, que mostra passo a passo como foi sendo desenvolvido o QFD de uma impressora. A matriz vazia e depois completa utilizada como material didático de apoio também estão disponí­veis
- Apresentação power point com o passo a passo
- Matriz vazia
- Matriz preenchida
Recomendações para aplicação
O texto a seguir foi adaptado do livro sobre QFD do Prof. Cheng.
Primeiramente deve-se saber se a empresa conhece o potencial do QFD ou não. Caso ela conheça deve-se colocar a pergunta o que se pretende atingir com o QFD?.
Se a respostar estiver relacionada com a fase de pré-desenvolvimento, quando o planejamento estratégico da empresa é desdobrado em um portfólio de projetos de desenvolvimento, com grande integração entre a áreas de marketing, engenharia e diretoria, deve-se empregar somente a casa da qualidade. No entanto, quando o produto for muito inovador, as informações dessa matriz devem ser aprimoradas durante a fase de projeto informacional e conceitual, após a aprovação do desenvolvimento do produto e levantamento de informações de mercado mais focadas para aquele produto.
Se for durante a fase de projeto de desenvolvimento, deve-se construir um modelo conceitual que abranja as atividades e ní­veis de detalhamento desejados. Conforme as dimensões que se deseja desdobrar, mais refinado deve ser o modelo conceitual. Um cuidado a ser tomado aqui é começar pequeno, ou seja, utilizar inicialmente uma matriz e conforme o time de desenvolvimento adquirir experiência, mudar de patamar de maturidade e aplicar outras matrizes.
Deve-se focar nos elementos e parâmetros crí­ticos do produto para não aumentar desnecessariamente o tamanho das tabelas e matrizes. Essa é uma causa freqí¼ente do fracasso na aplicação de QFD.
Outras recomendações mais especí­ficas podem ser consultadas no livro de QFD do Prof. Cheng (resumidas na tabela 2.16 do próprio livro).
Benefí­cios da aplicação do QFD no desenvolvimento de produtos
- Foco no consumidor;
- Considera a concorrência;
- Registro das informações;
- Interpretações convergentes das especificações;
- Redução do tempo de lançamento e reparos após o lançamento;
- Seu formato visual ajuda a dar foco para a discussão do time de projeto, organizando a discussão;
- Aumenta o comprometimento dos membros da equipe com as decisões tomadas;
- Os membros da equipe desenvolvem uma compreensão comum sobre as decisões, suas razões e implicações.
Novas contribuições para essa página são bem vindas
Esperamos algumas contribuições para registrar alguns casos reais de aplicação. Estamos ainda compilando algumas aplicações de publicações existentes para inserir aqui. Os anais dos congressos de QFD e do CBGDP do IGDP trazem o relato de muitas aplicações. Conforme forem sendo inseridas neste portal novas publicações sobre aplicações, iremos colocar o link nessa seção. Mas você pode procurar neste site outros conteúdos relacionados com QFD, clicando nas palavras chave relacionadas.
|
Critérios para determinação dos requisitos
Marcelo Soriano
Segunda-Feira, 10 de Dezembro de 2007, 16:23:44